Aperfeiçoamento profissional em cursos no exterior

É indiscutível que ter um diploma de graduação ou cursos de especialização no exterior abre um leque enorme de oportunidades e dá ao profissional uma grande vantagem em relação a outros concorrentes do mercado. Porém a aparente complexidade do processo e a burocracia extensa espantam a maioria dos estudantes e profissionais que nem chegam a tentar pleitear uma bolsa em universidades no  exterior.

Para quem tem esse desejo, mas freia nos obstáculos, +DINHEIRO traz uma boa notícia. É possível sim ter uma educação fora do País e, muitas vezes, com bolsa integral. Os requisitos necessários são um bom planejamento e muita dedicação.

Este é o pensamento do co-fundador da Apply, Matheus Rabello Benarrós. A empresa é  especializada em consultoria e preparação de candidatos a uma vaga nas melhores universidades dos Estados Unidos e Canadá, e surgiu depois que Matheus  resolveu, junto com o irmão, se preparar para estudar fora do País.

Com uma boa dose de dedicação e paciência para o cumprimento das exigências, Matheus foi aprovado em 18 universidades norte-americanas, entre elas, a escolhida Yale University, nos Estados Unidos, com bolsa de 60% para custear os estudos.

“Foi um verdadeiro sonho. Até hoje, eu me pego pensando o quanto foi importante ter tido essa oportunidade e o quanto isso abriu os meus horizontes. É uma experiência única e prova que nós podemos sim sonhar grande”, comemora.

Passo a passo

De volta ao Brasil, ele se dedicou a formatar uma empresa que fosse capaz de auxiliar os estudantes  a passar pelas etapas de seleção e ter sucesso nos exames admissionais. Matheus explica que os passos para se conquistar uma vaga em uma boa universidade no exterior, seja para cursos de graduação ou pós, são, basicamente, quatro.

Um deles, e o que mais bota medo nos candidatos são os exames. Dependendo da vaga pleiteada, são quatro tipos de prova: o SAT –    Scholastic Aptitude Test (Teste de Aptidão Escolar), o GMAT (Graduate Management Admission Test), o GRE (Graduate Record Examination) e o TOEFL (Test of English as a Foreign Language), sendo este último para comprovar a proficiência em lingua inglesa. Os demais testam conhecimentos gerais, sobretudo em matemática. “Na Apply, oferecemos cursos preparatórios para os exames, mas é importante observar, pois outros requisitos que são igualmente avaliados”, esclarece.

Boa trajetória

Os outros requisitos mencionados são cobrados no passo seguite – “Aplication”, que avalia todas as atividades extra-curriculares do candidato durante sua trajetória anterior, incluindo trabalhos comunitários, além de boas cartas de recomendação.

O passo seguinte dá conta do histórico escolar do candidato e o último tem relação com o quesito financeiro. “Se o candidato for bem nos passos anteriores, a bolsa vem naturalmente. O processo exige tempo, mas vale muito a pena”, defende.

Mas ele reforça: “estudar fora é um planejamento de médio prazo. O ideal é que a preparação seja iniciada ainda no ensino médio, no caso da graduação”, completa.

Mais opções para ganhar o mundo

Os irmãos Juliana e Lucas Barros, que gerenciam  a unidade de Manaus da CI Intercâmbio, oferecem outras opções quando o assunto é estudar fora do País. Além dos cursos de idioma nas localidades mais usuais, como Estados Unidos, Canadá e Inglaterra, outros destinos alternativos são oferecidos aos clientes. Entre eles estão Suíça, Alemanha, Nova Zelândia e Cidade do Cabo, na África do Sul.

“Além do desejo em fazer um curso no exterior, uma grande demanda dos brasileiros sempre foi o intercâmbio para aprender ou aperfeiçoar um idioma, na maioria das vezes, o inglês. Porém, com a alta do dólar, outras opções tem sido ofertadas”, explica Juliana Barros.

Ela conta que na Cidade do Cabo, por exemplo, um intercâmbio de três meses pode ser custeado com a mesma quantia gasta para se estudar um mês no Canadá. “O destino tem feito sucesso, uma vez que o custo de vida nessa localidade em bem mais barata”, relata Juliana.

Porém segundo Lucas Barros, tudo depende do perfil do cliente. “Existem pessoas que querem aprender inglês dentro de uma grande universidade, por exemplo. Neste caso, a NESE (The New England School of English), localizada nas dependências da Universidade de Harvard, atrai muitos alunos”, complementa.

Persistência para obter sucesso

A jornalista gaúcha Bruna Passos Amaral, de 29 anos, ganhou destaque  em revistas de veiculação nacional como exemplo de persistência em torno de um objetivo. Ela já coleciona sete bolsas de estudo em cursos e especializações   fora do Brasil, em países como Alemanha, Estados Unidos e Finlândia. De férias, no Brasil, após concluir o curso de mestrado em comunicação em Deutsche Welle, na Alemanha, ela já se prepara para voltar ao país europeu, desta vez para trabalhar.

O mestrado é a etapa mais recente de uma caminhada que iniciou aos 16 anos. “Quando eu soube que existia essa possibilidade, tive certeza de que eu poderia conseguir. Depois de várias tentativas sem êxito, minha primeira bolsa conquistada foi aos 16 pelo programa Jovens Embaixadores, que levava alunos da rede pública brasileira para um intercâmbio de três semanas nos Estados Unidos. De lá para cá, não parei mais”, conta.

Fazer uma pesquisa ampla na Internet dos programas que existem, conversar com pessoas que já fizeram o curso, e se esforçar para ter a proficiência na língua desejada são as principais dicas de Bruna. “Tem que se preparar. A burocracia não é tão complicada e em muitos lugares, como na Alemanha, as faculdade são de graça, ficando a bolsa para o custeio de outras despesas”.

BLOG: Raoni Lourenço, aluno de doutorado nos EUA

“O processo todo demanda tempo. Para conquistar esta bolsa, comecei fazendo a prova de proficiência (TOEFL) em agosto do ano passado e apliquei para o edital de doutorado do ‘Ciência sem fronteiras’ para os Estados Unidos, enviando, além da nota da prova, histórico escolar, cartas de recomendação e de intenções. Em setembro de 2014 fui pré-selecionado pela CNPQ para receber consultoria da agência americana LASPAU, que auxilia estudantes nas aplicações para as universidades americanas. Fiz toda a série de exames necessária e em agosto deste ano, finalmente, vim para Nova York.”

 

 

Fonte: A Crítica