Kit de Sobrevivência do Expatriado! Não saia do Brasil sem ele!

Quando cheguei à Inglaterra, em 2013, com minha passagem só de vinda e grana para apenas três meses, eu mal tinha ideia do que me aguardava.

O tempo passou e quando finalmente decidi me expatriar, vim com tudo: vendi todos os móveis, fiz festa de despedida, dei todas as quinquilharias que eu adorava para os amigos, doei minha gata (sinto saudades dela até hoje), e me desterrei.

Apesar das dificuldades, penso que todo brasileiro deveria por um período de sua vida morar fora do país.

O Brasil, visto aqui de fora, parece uma bolha – um ambiente voltado para dentro, fechado ao mundo e ainda meio preconceituoso quanto à emigração. A gente troca pouco com outros países e outras culturas, e isso atravanca o progresso que poderíamos ter nos campos da cultura, da economia e da tecnologia.

A vida no exterior é dura. Não é uma vida de turista. Como visitante, você é bem recebido. Como residente, a vida real se apresenta: empecilhos para conseguir trabalho, resistência dos moradores locais em lhe aceitar porque você não é um deles, a necessidade de mostrar às vezes que você é melhor do que eles para ser aceito, entre inúmeros outros obstáculos. É uma experiência enriquecedora – e, ao mesmo tempo, muito desafiadora, marcada por uma dor fina que não acaba nunca.

Tenho 33 anos e trabalho como desenvolvedor de software numa grande empresa em Londres. É sob essa perspectiva – de um profissional adulto, mais do que um jovem estudante ou um viajante mochileiro – que decidi compartilhar aqui algumas aprendizagens que fiz e que podem lhe auxiliar a encarar algumas situações que provavelmente também acontecerão com você, caso você decida se expatriar.

Visto

Você já sabe: visto é fundamental. E talvez seja a maior das dificuldades.

Sem visto ou passaporte adequado você não consegue trabalho. Numa terra – a Europa – em que está faltando emprego para quem é nascido aqui, não ter um visto é uma grande desvantagem competitiva.

Vir para cá sem autorização para trabalhar vai garantir, no máximo, um subemprego.

Fora o visto, eis os fatores decisivos para trabalhar aqui, em ordem de prioridade:

– Nível de inglês

– Experiência na sua área

– Quantidade de oportunidades para sua área por aqui.

Não saia do Brasil sem antes marcar um “x” nos itens desse checklist. É realmente importante. Esse exercício pode lhe poupar um bocado de esforço desnecessário.

Solidão

Gostaria de parafrasear o escritor Salman Rushdie: “Eu devo minha saúde, e minha sobrevivência mental, aos meus amigos e entes queridos”.

A ausência dos amigos e da família machuca. Pensei que chegando aqui, o contato com os locais, para absorver sua cultura, iria me ocupar. Mas a verdade é que isso pode até preencher sua mente, não resolve o coração vazio.

Como não sou estudante, a quantidade de pessoas que pude conhecer ficou limitada. E os ingleses não têm o costume de fazer amizades no trabalho antes de, no mínimo, seis meses. Você chega na empresa, eles te apresentam para todo mundo e você já cai no trabalho, porque você está ali para produzir. Pausa para o cafezinho? Dois minutos: um para ir pegar o café e outro para voltar para sua cadeira. E ninguém almoça junto. Todos saem para comprar um sanduíche no mercado mais próximo, voltam para o escritório e almoçam em frente aos seus computadores, muitas vezes trabalhando.

Isso tudo vai lhe fazer sentir muito só. Nessas horas, manter o contato com seus amigos e com a família no Brasil pode ajudar muito a superar os primeiros meses de adaptação, em que amigos são item raro.

Cabeça aberta

Reúna todos os conceitos que você tem sobre todas as coisas. Pegue tudo o que você aprendeu na sua vida, sobre trabalho, relacionamentos, modos de fazer, jeitos de dizer. Guarde tudo numa caixa. E deixe essa caixa no Brasil. Venha aberto a (re)aprender, a (re)construir a sua filosofia de vida.

Certas coisas são tão diferentes que vão fazer você questionar por que agiu desta ou daquela maneira no passado. Gestos simples do dia-a-dia, como ver um estranho esquecer um celular no banco do metrô e cinco outras pessoas levantarem rapidamente para alertá-lo. Ver que ao tratar com ar de superioridade um garçom ou garçonete você estará sendo tremendamente mal-educado. Aprender a agradecer o motorista de ônibus, todos os dias, por lhe deixar na estação.

A honestidade radical, o respeito pelo outro, a convicção de que todo mundo é gente igual a você, com direitos e deveres iguais. Nada disso é trivial para um brasileiro.

Prepare-se bem

Você é bom? Que bom. Porque o mercado aqui é muito competitivo. Eu me dediquei muito para me tornar um profissional qualificado e experiente. Quando cheguei aqui, esse foi um dos meus maiores diferenciais. (O inglês fluente também ajudou).

Você está disposto a ralar? Entrar no mercado não é fácil. Manter-se vivo e relevante profissionalmente é ainda mais difícil.

Você tem dinheiro para essa empreitada? No meu caso, trabalhei duro por dois anos antes da viagem, economizando na comida e em várias outras coisas enquanto estava no Brasil. Juntei 1 800 reais e comecei a pagar em prestações uma especialização técnica na minha área, de olho no que as vagas inglesas requeriam. Demorei um ano para concluir esse curso. Depois consegui um trabalho no Brasil, na área em mirava aqui fora, e adquiri uma experiência profissional valiosa antes de viajar.

Língua

Quatro em cinco frases que eu ouvia em minhas entrevistas de emprego eram: “Como você aprendeu inglês tão bem sem nunca ter vivido fora do Brasil?”. A entrevista fluía e eu conseguia falar da minha experiência de trabalho e de como poderia contribuir. A língua, enfim, não pode ser um problema nesse momento crítico em que você quer e precisa se apresentar bem.

Um segredo: eu não tinha inglês fluente. Eu tinha um inglês “muito bom”. Isso significa que eu conseguia pedir informações, comprar coisas em lojas e sustentar uma conversa normal. Se eu precisasse explicar qualquer coisa mais complicada, me atrapalhava todo e a conversa micava.

Quando decidi vir para a Inglaterra, e soube que tinha que fazer entrevistas de emprego, eu treinei com… entrevistas de emprego! Na época eu estudava inglês no Brasil e tinha aulas de conversação. Escolhi um só tópico para as minhas práticas: entrevistas de emprego.

Em pouco tempo eu estava falando sobre minha experiência de trabalho em inglês com mais desenvoltura do que tinha para pedir um refrigerante do bar da esquina – em português. Ou seja: você não precisa ser fluente em tudo, precisa ser fluente nas situações em que vai precisar do inglês para começar a sua vida no país de destino.

Pesquisa

Não espere chegar aqui para procurar emprego. Nem para descobrir que tipo de emprego tem por aqui e se isso tem a ver com o que você quer fazer. Comece pesquisando isso enquanto você ainda está no Brasil.

Talvez o emprego que você busca no exterior não exista no país com que você sonha. Ache o lugar do mundo que está buscando o tipo de talento que você tem para oferecer. Só então se pegue o avião.

Tenha um mentor

Você não precisa fazer tudo sozinho. Ao contrário: fazer tudo sozinho conduz na maioria das vezes a uma escassez de possibilidades de solução.

Eu falei com todo mundo sobre minha ideia de ir embora e sobre a melhor forma de concretizá-la. Perguntava aos que já tinham feito como eles tinham feito. Você vai se surpreender com como as pessoas ajudam ao ver que você está disposto a encarar com seriedade uma empreitada desafiadora em sua vida.

Ao mesmo tempo, fuja das pessoas que começam a vaticinar que sua jornada não vai dar certo. Busque quem teve sucesso no terreno que você deseja trilhar – e não quem nunca fez e torce contra quem deseja fazer.

Currículo

Pesquise os melhores modelos de currículo na internet. E pratique escrever bons currículos. Se você não tem um amigo estrangeiro, descubra na internet alguém que possa revisar seu currículo como um nativo da língua.

Outra dica de ouro: os currículos na Inglaterra não podem ter mais de duas páginas, ou são jogados no lixo.

A melhor dica que posso acrescentar para um currículo ideal é a utilização de keywords (palavras-chave). Como a maioria dos recrutadores utilizam o Google ou Linkedin para encontrar profissionais, seu currículo deve conter nas descrições de experiência as palavras-chave que os recrutadores mais utilizam. Como descobrir essas palavras? Olhe nos anúncios de emprego os “requirements”. As “tags” que você procura estarão todas lá.

Um lugar para ficar

O meio mais econômico de conseguir estada é se hospedar na casa de um conhecido ou amigo. Se não existe essa possibilidade, um hostel é a opção mais barata. Evite hotéis, porque é um absurdo o preço que cobram.

Hostels são os “albergues da juventude”. Hotéis baratos para viajantes ou estudantes que estão viajando com dinheiro contado. São quartos comunitários, normalmente com entre 4 ou 8 camas e armários individuais com cadeado.

Se você acha estranho, me permita lhe dizer: abra sua cabeça. E: é uma das melhores experiências que você pode ter como viajante!

Muitas pessoas viajam sozinhas no mundo e arrisco a dizer que quase todas elas ficaram em hostels uma vez ou outra. Você vai encontrar cientistas, hippies, estudantes, profissionais em férias, todo tipo de gente interessante que possa imaginar.

Custa muitíssimo mais barato que um hotel, oferece de modo geral uma ótima experiência e vai ajudar muito na adaptação a outro país.

Eis os sites que mais uso para encontrar bons hostels mundo afora:

Hostel World (meu preferido, por ter melhores preços)

Hostel International (um pouco mais caro, mas superconfiável)

Esses sites funcionam com referências dadas pelos clientes. Então é só escolher hostels que tenham sido bem avaliados por quem esteve lá.

Conseguindo um emprego

Para um estrangeiro, o processo de seleção costuma seguir as seguintes etapas:

– Encontre as vagas em “job boards” ou simplesmente andando pela rua

– Entregue seu currículo devidamente revisado, e com as palavras-chaves corretas

– Entrevista por telefone ou teste técnico à distância (às vezes essa etapa não é necessária)

– Entrevista técnica (“face to face interview”), na empresa contratante, com testes técnicos práticos

Para cada uma dessas etapas, há dificuldades e há macetes. Não tenha pressa, foque em uma etapa por vez e esqueça completamente todas as outras para não se deixar sobrecarregar pela ansiedade.

Anote tudo, registre bem as informações e aprendizagens de cada etapa, e revise essas anotações periodicamente.

Para mim, a entrevista técnica por telefone foi a etapa mais complicada, porque o inglês britânico é uma dor no rim para entender quando você é um recém-chegado ao país. Durante a entrevista, eu memorizava todas as perguntas, não importava se sabia bem a resposta ou não. Depois, transcrevia as questões e procurava as respostas no Google. Depois de três ou quatro entrevistas eu já tinha todas as respostas possíveis em um manualzinho pessoal para entrevistas capaz de seduzir qualquer recrutador.

Conhecendo gente

Minha solução para encontrar mais pessoas e fazer mais amigos foi participar de atividades em geral. Pense em coisas que nunca fez e gostaria de fazer. Vale tudo: stand-up comedy, teatro, música, tocar como DJ, aprender tricô, fazer escalada, curso de trapezista. Você escolhe. Misture-se.

Você vai encontrar pessoas e desenvolver novas amizades. Vá de boa, com o coração aberto e ocasionalmente amigos interessantes vão surgir nessas atividades sociais. Ficar trancado em casa ruminando a estranheza que você sente em relação aos outros e que os outros sentem em relação a você não vai ajudar em nada.

Um site que utilizei muito foi o Couchsurfing. Muitos o conhecem como site de hospedagem, mas o pessoal dessa rede social também organiza eventos para pessoas que estão viajando e os locais. Ir a esses encontros é uma ótima maneira de conhecer pessoas.

Outro site excelente para conhecer pessoas é o meetup.com. Você acha quase qualquer tipo de atividade e há muitos eventos gratuitos interessantíssimos.

Virando um local

Demora muito tempo para fazer amizades no trabalho, na Inglaterra, pois as pessoas não tem o costume de criar laços de amizade rapidamente. É assim em boa parte dos países do Hemisfério Norte.

Acostume-se com a distância inicial, e dê o melhor de si para cativar os locais com seu desempenho no trabalho. Assim, eles vão se abrir mais para conversa. Um erro é chegar tentando conversar com todo mundo por longos minutos – isso dá a impressão de que você não quer trabalhar.

Nas duas empresas em que trabalhei, os chefes me analisavam diariamente para checar meu desempenho e ter certeza de que eu produzia bem. Isso não dá muito espaço para fazer muitas amizades, especialmente no começo. Fiz amizades no trabalho, mas não muitas – e elas levaram tempo para engatar. Tenha paciência, seja produtivo, simpático e aos poucos algumas amizades vão surgir.

Preconceito é considerado crime na Inglaterra e em muitos outros países. Então qualquer forma de preconceito que você tenha em relação aos colegas – seja por gênero, religião ou opção sexual – deve jogada no lixo. Ou quem vai para o lixo é você.

Quanto melhor profissional você for, quando mais competência você mostrar, mais rapidamente será aceito. Quem não trabalha bem não faz parte do grupo. Quer fazer amizades depressa no trabalho? Trabalhe com qualidade. Aí as pessoa se abrirão.

Lidando com a inveja dos locais

Isso é triste, mas acontece. Na Inglaterra, a competição é selvagem. Ao conversar com um brasileiro, você conta como seu trabalho vai bem e ele fica feliz por você – ou ao menos esconde a inveja. Por aqui as pessoas podem te olhar atravessado pensando que você quer fazer algum tipo de exibicionismo.

Um estrangeiro que está se dando bem pode ser olhado com inveja pelos outros simplesmente pelo fato da situação estar ruim para todo mundo. Minha postura é sempre tentar compartilhar meus aprendizados para que as pessoas se deem bem também. Geralmente dá certo – mas às vezes tenho que lidar com a desconfiança inglesa de não compreender por que estou dando ajuda de graça, sem querer nada em troca…

Fazendo amigos

O povo inglês não costuma dar o primeiro passo para começar amizades. Em raras ocasiões você vai conhecer pessoas que te convidam para fazer coisas, como amigos de amigos. Mas a regra geral é que você tem que tomar a atitude de convidá-los para fazer algo. Não seja orgulhoso. O interesse é seu.

Se for possível, tente se aproximar de gente que tenha o mesmo plano de vida que você. É muito triste fazer uma boa amizade e depois de um ano essa pessoa ir embora porque estava lá apenas para um intercâmbio ou um período mais curto de experiência. Claro que é muito bom ter todo tipo de amizade, mas é mais recompensador conhecer pessoas que vão viver no país um tempo similar ao seu.

A moradia definitiva

Depois de todo o trabalho para conseguir um trabalho, está na hora de conseguir um local definitivo para morar.

Tente primeiro encontrar apartamentos compartilhados, em sites como o Gumtree ou no próprio Couchsurfing.

Um cuidado importante é a alta incidência de golpes na internet. Você tenta conseguir um apartamento e certos anunciantes pedem um pagamento adiantado. Cuidado. Qualquer anunciante que pedir pagamento antecipado estará tentando levar uma grana do estrangeiro desavisado.

Muita gente divide apartamento aqui: profissionais, estudantes, artistas. É bem comum mesmo. Não é a nossa cultura e você terá que se adaptar. Apenas faça questão de visitar os apartamentos e conhecer bem seus colegas de moradia antes de fazer as malas.

Sem “complexo de sudaca”

Lembremos da frase de Eleanor Roosevelt: “Ninguém pode fazer você se sentir inferior sem o seu consentimento”.

O “complexo de sudaca” é um termo que um amigo meu deu ao sentimento de inferioridade que ocasionalmente acomete pessoas provenientes da América Latina.

Morar e trabalhar fora é também aprender a não pensar negativamente nem achar que somos inferiores. Entre os ingleses, por exemplo, é impensável ouvir frases do tipo “se é bom, é importado” ou “se fosse nos Estados Unidos isso não aconteceria”. Esse jeito de pensar não existe na Inglaterra. E essa é uma coisa boa que temos a aprender com os ingleses.

Se os ingleses não nutrem esse sentimento de inferioridade, estrangeiros vivendo na Inglaterra também não deveriam nutri-lo. Aliás, os ingleses se irritam quando você critica algo no país deles (até mesmo o tempo, que é comprovadamente ruim). Ninguém por aqui acredita que existam limitações para o que qualquer um possa fazer. Nós, brasileiros, precisamos nos sentir assim também, empoderados, com essa potência para realizar.

Quando cheguei aqui, achei que minha diferença na formação escolar (por ter estudado sempre no Brasil e nunca estudado fora) e técnica (afinal, minha universidade era brasileira) iria me deixar comendo poeira e vários estrangeiros iriam passar na minha frente. Fiz minhas entrevistas de emprego, fui contratado e a grande diferença técnica que encontrei foi, pasmem, nenhuma. Nada, zero, necas. Estava tudo em minha cabeça. No modo como eu me via como brasileiro. Eu era, e sou, tecnicamente equivalente (e até melhor, por ter estudado no Brasil) do que muitos profissionais locais.

O tempo passou, eu fui trabalhando, desempenhando bem funções, até perceber que o que impede que sejamos muito bem-sucedidos no Brasil não são nossas limitações técnicas ou pessoais. Mas, sim, na maioria das vezes, nossa crença de que não podemos chegar ao primeiro lugar, que somos sempre retardatários. Não é verdade. Esse é um crime que cometemos contra nós mesmos. Mas para você ser o melhor é preciso, antes, acreditar que você poder ser o melhor.

Livre-se do “complexo de sudaca”, dê o melhor de si no trabalho e tenha uma vida bem-sucedida no exterior.

Vivendo la vida loca

Falei muito sobre como desenvolver sua carreira profissional. Mas também é fundamental curtir a vida. Tem coisas fantásticas que acontecem todos os dias em Londres. E nunca vai faltar programas interessantes para fazer numa cidade como essa – e como tantas outras, mundo afora.

Abaixo, minhas atividades preferidas fora do trabalho, que me ajudaram a manter a sanidade e a garantir muita diversão no meio da correria e da cobrança inglesa por produtividade.

Praticamente ninguém vai te julgar na noite, então aproveite.

Já vi fantásticas brigas de mulheres no metrô e grupos de amigos fantasiados de vaquinha e elefante cor-de-rosa andando normalmente pelas ruas. Quase tudo é permitido, desde que você não atinja terceiros. Se você sair de cuecas e coturno na Picadilly Circus vão lhe confundir com um hipster, e talvez pedir para tirar uma foto com você, muito antes do que lhe julgar.

Fale com todo mundo, ria das milhões de coisas aleatórias e inusitadas que vão acontecer, conheça muita gente bacana e diferente numa mesma noite – e seja feliz.

Baladas e casas noturnas

Londres tem baladas para todos os gostos. Música eletrônica, brasileira, caribenha, pop, rock, metal… Uma enorme diferença em relação às baladas brasileiras é o quão respeitosas as pessoas são lá dentro. Todos bebem, enchem a cara, mas, se esbarram em você, lhe pedem desculpas. E todo mundo pede licença ao se mover no meio da multidão. Não tem cotovelo, não tem empurrão.

Fabrik, Egg, The Blues Kitchen e Ain’t Nothing but Blues são lugares que particularmente curto. Anote aí.

Pubs

São uma tradição inglesa e estão literalmente por toda Londres. Qualquer vizinhança tem seus pubs com peixe e batatas fritas acompanhados de um bom “pint” – 568 ml de cerveja.

É costume local pagar em rodadas e não cada um pagar o seu. Então se for com um grupo de amigos, você paga primeiro uma rodada, e depois cada um paga um dos próximos “rounds”.

Festivais

Verão e festivais são coisas bem grandes na Inglaterra. Os dias de sol são muito valorizados. Os festivais de verão são gigantescos e todo mundo vai para pirar completamente, vestindo fantasias, enchendo a cara. Não venha – nem saia – da Inglaterra sem ir ao menos a um festival de música.

Viajando

A Europa se orgulha dos trens, mas na Inglaterra existem ônibus também de muita qualidade (e muito mais baratos que os trens). A Inglaterra tem praias muito bonitas ao sul e áreas montanhosas lindas mais ao centro do país. Estique também à Escócia e à Irlanda.

GLS

Se você é gay ou simpatizante não perca o Pride London. É a famosa parada gay, gigantesca, onde todos vão para lutar por igualdade e dizer não ao preconceito – com muita alegria e bom humor. A parada é enorme, tem muitas pessoas desfilando, carros alegóricos, eventos paralelos – um show.

Ficar? Namorar?

Um pequeno glossário para você se virar na hora do azaro:

Ficar: aqui na Inglaterra isso se chama “fling”. Aquele lance que surgiu em um dia, um rolo que dura por um tempo, mas que não implica namoro nem compromisso sério (ainda que nenhum dos dois queira largar o osso). Você pode dizer He’s just a fling. (Algo como “Ele é só um rolo/ficante”.)

Lance de uma noite: chamado aqui de “one night stand”. É aquela situação em que você vai para a balada, conhece alguém, leva para casa para uma noite e depois os dois viram fumaça.

O resto é namoro. Ou, como dizem aqui, “a relationship”. Ou:“they are a couple”.

Ah, sim. Na Inglaterra não existe motel. Os únicos países equipados com motel são o Brasil e o Japão. Por aqui, só levando pra casa…

Espero que esse guia lhe seja útil. Estou em Londres há dois anos e é sempre um prazer ajudar quem está querendo vir para cá. Obrigado por terem chegado ao final da leitura e sucesso a todos vocês – no Brasil ou no exterior!

Fonte: Projeto Draft