Mudar do Brasil? Seis mil vagas abertas no exterior

Multinacionais estão abertas a profissionais, mas é fundamental falar inglês e ter qualificação antes de pensar em mudar do Brasil.

Com os empregos ameaçados pela situação econômica do país, brasileiros já começam a buscar oportunidades no exterior. Atualmente, há pelo menos seis mil vagas abertas em escritórios de grandes multinacionais nos Estados Unidos, Europa, Ásia e América Latina. Mas, assim como no Brasil, a maior demanda é por profissionais qualificados. O domínio do inglês, claro, é pré-requisito para se candidatar.

Pesquisa da Catho mostra que 76% dos brasileiros aceitariam mudar do Brasil e morar no exterior por uma proposta profissional. Sendo que 34,2% aceitariam se representasse uma boa oportunidade de desenvolvimento, mesmo que sem a promessa de uma promoção, 33,2% aceitariam mediante promoção e 8,5% iriam mesmo sem nenhum outro benefício associado.

Entre os segmentos com boas chances de trabalho para os brasileiros no exterior estão a construção civil (Estados Unidos, Angola e Moçambique), cosméticos (Europa) e óleo e gás (Oriente Médio). Para Denis Cerqueira, gerente de divisão da Wyser, consultoria franco-italiana de recrutamento de média e alta gerência, existe uma grande demanda por mão de obra brasileira especializada. No entanto, a falta do idioma ainda é um entrave para esses profissionais.

“O inglês é fundamental. Mesmo em oportunidades para a América Latina, por exemplo, o idioma é exigido. Em segundo lugar vem o espanhol. Hoje, o mandarim é um ótimo diferencial, em função do crescimento das empresas chinesas”, avalia.

Segundo ele, as melhores formas de procurar emprego no exterior são por meio dos sites das empresas e de redes sociais de negócios. “O Linkedin hoje é o maior banco de currículos do mundo. É uma excelente porta de acesso”, explica o executivo.

Para quem tem o sonho de trabalhar fora, ingressar em uma multinacional no Brasil também é um bom começo. O especialista explica que muitas dessas companhias têm uma cultura de ‘job rotation’, isto é, intercâmbio de funcionários.

“Para quem busca especialização profissional e aprendizado, o ideal é sair do Brasil com algo certo lá fora. Até porque estar em outro país exige algumas questões burocráticas e legais, e as empresas ajudam com isso”, conta Denis Cerqueira.

Porém, no caso de pessoas que querem mudar do Brasil e morar no exterior, mas não possuem qualificação, o segmento mais indicado é o de serviços. Em países da Europa e Estados Unidos, há demanda para segmentos de salões de beleza e restaurantes, por exemplo. “Os salários não são os atrativos para buscar oportunidade no exterior. As pessoas vão muito mais em busca de enriquecimento cultural, qualidade de vida”, aponta Cerqueira.

Rede de contatos fora do país ajuda a conseguir trabalho fora do Brasil

Redes Sociais, fóruns, blogs e outros profissionais da área são essenciais para a construção de um networking eficaz e que pode trazer boas oportunidades de recolocação profissional no exterior.

A estudante Ana Vitória Cattaneo, 21 anos, morou na Itália durante mais de um ano com o marido, que foi transferido a trabalho. Segundo ela, a principal dica é ter uma quantia razoável de dinheiro guardada antes de tentar a sorte em outro país. “A procura por emprego na Europa é bem alta e às vezes demoramos a encontrar uma vaga”, conta ela, que custou a conseguir trabalho para complementar a renda da família.

“A entrada de brasileiros na Itália não é tão difícil. Isso faz com que a cidade receba muitos de nós, o que acaba aumentando a disputa por vagas”, explica.

Para se destacar em meio à concorrência, o engenheiro mecânico Rodrigo Dell Fonte, 25 anos, decidiu se qualificar antes de disputar uma vaga no exterior. “Tenho vontade de trabalhar fora do país, de preferência na Austrália, Reino Unido ou nos Estados Unidos, que é onde a maioria dos meus amigos engenheiros conseguiram uma vaga. Isso é um forte estímulo”, afirma.

Segundo ele, há muita exigência por mão de obra qualificada. “Meus amigos me orientaram a sair do Brasil com certa experiência, assim fica mais fácil conseguir algo melhor lá fora”, explica Rodrigo.

Para Denis Cerqueira, gerente de uma empresa de recrutamento, a rede de contatos é um fator importante para conseguir emprego em outros países. Isso vale tanto para funções que não exigem qualificação, quanto para cargos de média e alta gerência.

“Hoje em dia um bom inglês, espanhol e ‘networking’ são fundamentais para conseguir um lugar no mercado de trabalho internacional”, avalia o especialista.

CHANCES FORA DO BRASIL

CCOR

A rede de hotéis tem 2.085 vagas abertas em diversos países da Europa, América do Sul, América do Norte e Oriente Médio. Há oportunidades em funções como chef de cozinha, auxiliar de cozinha, segurança, eletricista, recepcionista, entre outros.

Mais informações por meio do site: http://jobs.accor.com


ONU

São mais de 200 vagas em países como México, EUA, Quênia, Suíça e Chile. Entre os cargos com chances disponíveis estão auxiliar administrativo, assistente de transporte e oficial de segurança.

Mais em: http://careers.un.org.


GOOGLE

A gigante de tecnologia tem mais de mil vagas em diversos países dos Estados Unidos, Europa, América do Sul, África. Entre as áreas estão engenharia, design, suporte técnico e vendas.

Mais em: www.google.com/about/careers.


FACEBOOK

Oferece mais de 200 vagas em países como Austrália, Estados Unidos e Japão, entre outros. Há chances em áreas de marketing, tecnologia, comunicação e vendas.

Mais informações em: https://pt-br.facebook.com/careers/.


ABB

A multinacional de tecnologias de energia e automação tem mais de 1.200 vagas na Europa, Estados Unidos e Ásia. Entre as áreas estão vendas, qualidade, engenharia e finanças.

Mais informações no site: http://new.abb.com/careers/job-search.


L’ORÉAL

A multinacional de cosméticos oferece mais de 1.400 vagas em países da Europa, América do Norte e Emirados Árabes, por exemplo. Há chances nas áreas de comunicação, pesquisa, administração, recursos humanos, marketing, entre outras.

Saiba mais em: http://www.loreal.com/careers/careers-homepage.aspx.


STEPHANIE TONDO – O DIA – Economia